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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Santa Paciência

Santa Paciência
O diretor Josh Appignanesi parece ter bebido da mesma fonte dos irmãos Farrely ao produzir essa bem vinda comédia politicamente incorreta, Santa Paciência (The Infidel no original). Com vários curtas em sua bagagem e também um produtor experiente, Appignanesi mostra coragem ao “brincar” com duas culturas tão distintas e antagônicas.

Nesta comédia vemos Mahmud um sujeito normal como outro qualquer. Dentro de casa é um O diretor Josh Appignanesi parece ter bebido da mesma fonte dos irmãos Farrely ao produzir essa bem vinda comédia politicamente incorreta, Santa Paciência (The Infidel no original). Com vários curtas em sua bagagem e também um produtor experiente, Appignanesi mostra coragem ao “brincar” com duas culturas tão distintas e antagônicas.

Nesta comédia vemos Mahmud um sujeito normal como outro qualquer. Dentro de casa é um adorável marido, um pai dedicado e assumidamente um muçulmano não-praticante. Até que um dia, uma descoberta colocará Mahmud no centro de uma rivalidade milenar, causando a maior crise de identidade, que já se viu. Ele descobre que é adotado, e que na verdade, nasceu em uma família tradicionalmente judia.

Apesar de chegar aqui em um momento de tensão internacional por Israel e os territórios palestinos, a comédia britânica "Santa Paciência" é um esforço admirável de brincar com bastante humor e propriedade com um assunto complicado seja cultural ou racialmente, que é a das relações entre muçulmanos e judeus. O roteirista David Baddiel soube delinear a engraçada crise de identidade e fé do protagonista e graças a espirituosa e discreta direção de Josh Appignanesi, o embate entre Mahmud (Omid Djalili) com um vizinho judeu (Richard Schiff) se torna ainda mais interessante e inusitado.

O longa é uma debochada sátira ao extremismo, embora seja mais condescendente com a cultura muçulmana do que com a judaica. É nesse momento em que Appignanesi pisa no freio em momentos onde poderia ir muito mais além. Receio? Pode ser, porém esqueça esse detalhe e embarque nesse roteiro cheio de malabarismos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio

Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio
A proposta da série é simples e objetiva e os realizadores conseguiram manter uma rara coerência ao longo de cinco produções, todas com um bom nível de qualidade. O original dirigido por Rob Cohen em 2001 ainda pode ser considerado o melhor, porém esta quinta incursão da franquia supera as outras três continuações, pois se trata de uma coletânea dos elementos de maior sucesso: o trio composto por Vin Diesel, Paul Walker e a bela Jordana Brewster, o retorno de Tyrese Gibson (que roubava a cena em “Mais Velozes e Mais Furiosos”) e cenas de ação espetaculares!

Diferente de muitas outras franquias similares, nesta fica claro um progresso narrativo e uma tentativa de trazer algo de novo. Em “Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio” a trama se assemelha ao conceito da série “11 Homens e um Segredo” e o clássico de 1969 “Um Golpe à Italiana”, deixando de lado o foco nas corridas clandestinas que havia nos três primeiros. Claro que todas as disputas e acertos de conta continuam sendo resolvidos por trás dos volantes, nada mais justo, já que foram os momentos que consagraram a série.

Por se passar no Rio de Janeiro, o diretor Justin Lin se aproveita ao máximo do nosso grande diferencial arquitetônico (já virou moda os heróis americanos pularem de barraco em barraco em nossas favelas), que mesmo péssimo como “cartão postal”, mostra-se uma inegavelmente eficiente moldura para trepidantes cenas de ação. Outro acerto da produção foi incluir o ex-astro de luta livre Dwayne “The Rock” Johnson na trama, proporcionando aos fãs alguns duelos verbais entre ele e Vin Diesel, tais quais dois pitbull´s rosnando um para o outro, deixando no ar a promessa de um ótimo combate em futuras produções.

Para os fãs da série e amantes do bom cinema de ação, comprar este ingresso é um ótimo investimento.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Caminho da Liberdade

Caminho da Liberdade
Que filme espetacular! Quando pensamos em cineastas importantes, poucos se recordam de Peter Weir, mesmo sendo ele um dos mais talentosos do ramo. Sua filmografia impressiona pelo alto nível e pela coragem em ousar correr riscos (seja na escolha dos temas ou na maneira de retratá-los). Tendo ficado ausente desde “Mestre dos Mares” de 2003, ele entrega agora mais uma obra prima irretocável!

Com produção da National Geographic, a história narra a corajosa escolha de um grupo de prisioneiros poloneses em conquistar o impossível: em plena segunda guerra mundial, fugir de uma prisão siberiana e enfrentar as brutais intempéries do excruciante país em uma longa caminhada. Se eles irão sobreviver ou não, pouco importa, pois se a morte vier, encontrará homens livres! Passando frio e fome, tencionam percorrer os mais de 6.400 km, da Sibéria até a Índia. Weir consegue nos colocar infiltrado no grupo, nos emocionando ao mostrar o grupo disputando restos de carne com uma matilha de lobos, assim como nos faz vibrar com a resignação de Janusz (Jim Sturgess) em manter a equipe confiante.

Entre as diversas qualidades do filme, vale salientar o domínio preciso de ritmo. Nada se mostra apressado ou mostrado em vão, os 130 minutos nos deixam querendo mais! Outro elogio deve ser dado ao tratamento oferecido à única personagem feminina: Irene (Saoirse Ronan). Fugindo do óbvio interesse romântico, o diretor escolhe mostrar a relação entre ela e os outros prisioneiros como uma ligação de amizade e crescente admiração, surpreendendo talvez o próprio público.

Finalizando, preciso dizer que Ed Harris (Mr. Smith) continua mantendo sua excelência e que Colin Farrel (Valka) realiza a melhor interpretação de sua carreira! Uma história extraordinária contada de forma brilhante.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Padre

Padre
Baseado em uma revista em quadrinhos coreana de Hyung Min-Woo, “Padre” não funciona como adaptação ou como obra de cinema.

A decepção maior é testemunhar um ator de potencial como Paul Bettany deliberadamente afundando sua carreira. Após o fiasco que foi “Legião” no ano passado, ele repete o erro com o mesmo diretor: Scott Stewart, neste arremedo de tentativas desorientadas. Bettany é o tipo de ator que pode receber a alcunha de kamikaze, pois mesmo com todos os indícios apontando uma tragédia cinematográfica, ele segue em frente e assina o contrato! “Conjunto de obra pra quê?”

O que se espera ao assistirmos este filme? Que sejamos entretidos, que tenhamos boas cenas de ação e com sorte, um roteiro interessante. Se analisarmos por este ângulo, ele se torna uma obra frustrante em todos os sentidos. As cenas de ação parecem trazidas diretamente dos anos 90, o roteiro não prende nossa atenção. Se caísse uma bomba nuclear na metade do filme que eliminasse todos os personagens, mal perceberíamos. E pensar que um bom diretor poderia transformar o interessante e ousado conceito em um produto até inovador.

A edição do filme também compromete, deixando claro em vários momentos que houve vários cortes significativos, que atrapalham o ritmo e o entendimento da trama. Imposição do estúdio que talvez tenha sido a “pá de cal” que faltava nesta produção. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Reencontrando a Felicidade

Reencontrando a Felicidade
“Reencontrando a Felicidade” fala sobre as mudanças na vida de um casal que sofre com a morte de seu filho. O que mais me agradou na obra foi perceber como o roteiro evita as armadilhas comuns aos filmes que lidam com o tema. O drama não é exagerado, havendo espaço inclusive para refinadas cenas em que o humor não vem como um alívio forçado, mas sim como uma conseqüência natural.

Em alguns momentos percebe-se este brilhantismo no roteiro, como quando o casal participa de uma reunião de grupo, onde uma das mães diz que foi Deus quem levou seu filho (fazia parte do plano divino), pois precisava de mais um anjo. A personagem de Nicole visivelmente irritada questiona: “Porque Deus não cria um anjo? Ele é Deus!”

As atuações são essenciais em obras sensíveis como esta. Nicole Kidman e Aaron Eckhart não decepcionam, conseguindo traduzir grande abrangência de sentimentos em simples trocas de olhares. Outro ponto a ser salientado é a bela trilha sonora de Anton Sanko, que sutilmente acompanha o desenrolar da história. Já o fraco título em português merece menção, provando o quanto as distribuidoras subestimam a inteligência do público (com razão?). “A Toca do Coelho” (Rabbit Hole) se refere ao clássico de Lewis Carrol: “Alice no País das Maravilhas”, refletindo a mensagem essencial da obra: na vida real não podemos fazer como Alice, nos refugiando em realidades alternativas.

O diretor John Cameron Mitchell realizou um dos melhores filmes do ano passado, injustamente pouco valorizado nas recentes premiações. Indicar apenas a interpretação de Nicole Kidman foi muito pouco, assistam e comprovem

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Agentes do Destino

Agentes do Destino
Há poucos escritores de ficção científica com um registro cinematográfico tão sólido como Philip K. Dick. Desde Blade Runner a Minority Report, contos de Dick inspiraram alguns dos espetáculos mais memoráveis do gênero, porque todos eles lidam com o que dá sentido a nossa vida efêmera dentro de um vazio existencial. Agentes do Destino mantém esse padrão e o diretor George Nolfi o segue a risca.

David Norris (Matt Damon) é um político importante, mas um escândalo acaba com a sua corrida ao Senado. Ao mesmo tempo, ele conhece Elise (Emily Blunt), uma mulher bailarina que passa a exercer sobre ele uma forte paixão. Contudo, homens com estranhos poderes de interferir no futuro aparecem do nada e começam a pressionar David, alertando-o que este romance não poderá continuar. Assim, sem saber ao certo quem são essas pessoas, a única certeza que ele possui é que precisa encontrar forças para enfrentar o destino e mudar o rumo de sua história.

Na esperança de manter a história tão obscura quanto possível nos primeiros 40 minutos, Nolfi nos apresenta um mundo que se parece muito com o nosso, mas combinado com o ambicioso projeto de produção, que segue o estilo do expressionismo alemão, bem como suas manifestações, o tom noir e o surrealismo, o que eleva o nível da película, porém esse tom híbrido de estilos pode causar estranheza por parte do público.

Quanto as atuações, Matt Damon e Emily Blunt entregam performances deslumbrantes. Se de um lado o estilo utilizado pelo diretor para narrar essa estranha história de amor segue um padrão diferente ao que o público está acostumado e acabe indo ao cinema esperando ver outro tipo de filme, os atores seguram bem o enredo e o interesse de quem estiver na poltrona torcendo pela dupla nessa mistura de thriller sobrenatural com pitadas de romance.

Como Arrasar um Coração

Como Arrasar um Coração
Muitos críticos no exterior se dividiram quanto ao desenvolvimento desse simpático longa francês. “Como Arrasar um Coração” (título em português para o original L'Arnacoeur) tem seus pontos válidos, é verdade, ser todo filmado na charmosa Paris e uma premissa a principio interessante. Talvez esses dois elementos tenham criado uma divisão na crítica especializada. Mas talvez o desenvolvimento da trama também tenha colocado o filme no lugar óbvio de costume das comédias românticas aumentando essa divisão de opinião.
Como Arrasar um Coração é mais um célebre caso da má condução de uma história. Em vez de arriscar na criação de algo novo e que possa abrir novas possibilidades para o gênero, o diretor opta por seguir a direção oposta e cômoda de tantas tramas açucaradas. O que prova mais uma vez que em termos de roteiro, o cinema francês pouco tem criado de bom nos últimos anos e “Como Arrasar um Coração” vem coroar a má fase francesa.

Como Arrasar Um Coração conta a história de Alex Lippi, um sedutor profissional que conquista todos os tipos de mulheres para depois partir. A intenção de Alex Lippi é desfazer casais indesejados. Isto é: Desmanchar relacionamentos onde as mulheres estejam infelizes e precisem de um empurrãozinho para cair fora.

Romain Duris e Vanessa Paradis estão em bons desempenhos, mas a trama caminha por referências desnecessárias e fora de propósito, como emular músicas datadas e francamente banais em sua trilha, resgatando hits esquecíveis dos anos 80 (Wham! e Dirty Dancing), algo que outro “clássico” do gênero, Amor à Distância com Drew Barrymore, já optou com mais propriedade sacando, por exemplo, de The Cure para pontuar sua também fraca história.

"Como Arrasar um Coração" é previsível do começo ao fim assim como a maioria das comédias românticas, apesar de contar com personagens simpáticos e um bom equilíbrio entre tolice e sentimento. Um desperdício de conceito e premissa, que na mão certa poderia seguir um caminho mais surpreendente, encantando o público. Encanto que o cinema francês precisa resgatar urgentemente.