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terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Casa

A Casa“A Casa” é puro marketing! Estruturalmente não existe nada que se possa chamar de cinema nesta brincadeira cara. A própria chamada já vende um produto mentiroso: “O primeiro filme de terror filmado em um único plano sequência”. Não precisa muita atenção para perceber que a obra possui setenta minutos, porém inicia de manhã e termina à noite! É o dia mais curto da história do mundo! Pior que isto, não existe possibilidade de filmar algo por este tempo em um único plano sequência sem cortes. O mesmo recurso utilizado por Hitchcock em “Festim Diabólico” se encontra neste, ou seja, existem cortes discretos em cenas escuras. 

Todos estes problemas poderiam ser esquecidos, caso o roteiro fosse aceitável, mas não é o que acontece. Os poucos momentos de sustos não o tornam mais interessante que um passeio na mais medíocre montanha russa. As atuações chegam a ser embaraçosas em diversas cenas, mesmo levando em consideração o gênero e o público alvo do produto. O diretor uruguaio Gustavo Hernandéz até tenta elaborar criativas maneiras de contornar o baixo orçamento, porém não consegue salvar o projeto, que ainda entrega um final (no mínimo) decepcionante.

Com certeza os Estados Unidos irão criar uma refilmagem, que possivelmente será tão medíocre quanto o filme original, porém com o triplo da verba. O mais triste é pensar que se tratava de uma ótima idéia, infelizmente desperdiçada.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carros 2

Carros 2Era tão difícil prever o resultado final deste Carros 2 quanto uma empresa concorrente alcançar o grau de complexidade do conjunto da obra Disney & Pixar. A dificuldade de previsão havia se solidificado durante mais de uma década e meia de animações primorosas. Com apenas dois longas muito bons (Vida de Inseto e o primeiro Carros - todos os outros estão acima), nada indicava indícios de qualquer crise criativa. Seriam, as mentes por trás das oscarizadas e quase imbatíveis animações, infalíveis?

Baseada em fórmulas e repleta de clichês hollywoodianos (especialmente aqueles advindos de filmes sobre espionagem), a obra é o primeiro grande tropeço da antes sobre-humana empresa. A queda parece visível demais quando até um personagem tão carismático quanto o guincho Mate (“como tomate mas sem o to”) surge deslocado. Aliás, a beleza desse personagem era realçada justamente por ser, no filme anterior, um coadjuvante. Enquanto funcionava como alívio cômico, a trama se desenvolvia com beleza, alguma profundidade e, certamente, boas risadas. Mas, elevado ao posto de protagonista, o favorecimento de um arco dramático mais contundente se desfaz, as piadas se tornam forçadas e surgem os estereótipos e os diálogos artificiais apoiados em uma trilha sonora abatida (estranhos para uma produção Pixar).

Surpreendente na utilização da violência e com um sadismo definitivamente inesperado para uma produção de apelo infantil (talvez, com o intuito de impressionar os adultos que nunca precisaram disso para se encantar com obras como a trilogia Toy Story ou Ratatouille – essa última com repetidas referências na película em questão, o que é incomum quando se trata de piadas internas da empresa), o filme pode ser visto como um amontoado de ótimas ideias mal aproveitadas. É, sim, um universo curioso e, sem dúvida, disposto a ser desenvolvido.

Assim mesmo, Carros 2 é um grande espetáculo estético e o design dos novos personagens (inclusive os figurantes) é inspirado... especialmente dos carros japoneses, que remetem diretamente a animés.

O caráter oportunista fica claro após a saída do cinema, quando, sem querer, é possível relacionar, diretamente, as quase infinitas aparições de produtos (de brinquedos a roupas) relacionados aos 106 minutos da projeção. É, então, que se pode ter certeza da dúvida sanada por Carros 2: as mentes por trás da Disney & Pixar não são infalíveis. Pior... são humanas.

Ou havia algo na água do pessoal. Eis que surge um grande mistério.
Aguardemos o próximo trabalho..

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Potiche - Esposa Troféu

Potiche - Esposa TroféuSou fã do trabalho do diretor François Ozon, que com este encantador “Potiche – Esposa Troféu” resgata a alegria de seus primeiros filmes (assim como a elegância da era de ouro do cinema francês). Este é o tipo de obra que, mesmo se você estiver cansado ou desinteressado a princípio, irá conquistar sua atenção até o último minuto! 

Ozon nos entrega pequenas homenagens ao longo da projeção. Todos os que se apaixonaram por Catherine Deneuve no clássico “Os Guarda-Chuvas do Amor” de 1964, irão adorar o cenário em que a atriz se encontra nesta produção. A eterna “Bela da Tarde” vive Suzanne Pujol, uma peça de enfeite (potiche) em uma relação desgastada, acostumada a não constar na lista de prioridades do marido (Robert, vivido por Fabrice Luchine), um homem desprezível e mulherengo, odiado por seus funcionários e ignorado por seus filhos. O cenário (final da década de setenta) é retratado de forma farsesca, garantindo um tom quente e colorido nas cenas de Deneuve, contrastando com os tons frios dos momentos em que Fabrice participa.

Greve de funcionários e a ascenção do movimento feminista eram o cenário comum da época na França, porém o diretor não força a mão no viés político, deixando claro se tratar de uma típica comédia farsesca. Sua origem teatral compromete em certos momentos, tornando alguns diálogos e cenas um tanto quanto forçados, mas nada que comprometa o resultado final. Vale destacar a presença carismática do sempre ótimo Gérard Depardieu (Maurice Babin), como um deputado que esconde um valoroso segredo. Sua química com Deneuve é um prazer aos olhos, simbolizada pela fantástica cena de dança em uma típica discoteca da época. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Kung Fu Panda 2

Kung Fu Panda 2
Enquanto este possui mais ação, o original é superior em todos os outros aspectos. O que não quer dizer que “Kung Fu Panda 2” seja ruim, muito pelo contrário! Só carece do fator “surpresa”, que era o elemento mais interessante do primeiro, fazendo com que o humor seja “mais do mesmo”.

Mesmo sendo as crianças o público alvo prioritário, poderia ter sido evitado o excesso de clichês (problema em quase todas as animações da Dreamworks), fazendo parecer em certos momentos que estamos assistindo uma animação da década de 80 (mesmo que o visual seja moderno). O elemento que mantém a atenção dos adultos até o fim é a interpretação inspirada de Jack Black (e Lúcio Mauro Filho na ótima dublagem nacional) e o carisma que ele consegue dar ao corajoso protagonista, que já está na liderança dos Cinco Furiosos, mas tem uma lacuna a ser respondida em sua vida: por que ele é um urso e seu pai um ganso? Em uma válida mensagem para as crianças sobre as diferenças (análogas a todos nós), o personagem tenta descobrir sua identidade e sua função no ambiente em que habita. As respostas dadas são previsíveis, porém divertirão os pequenos.

Comparativamente, não é das melhores animações que o próprio estúdio já criou. A lição de moral já bastante desgastada poderia ter sido exposta de maneira muito mais agradável, assim como o resultado final poderia ser mais ousado e emocionante, mas a intenção desta vez parece ser somente lucrar com o sucesso do filme original.

domingo, 13 de novembro de 2011

Vênus Negra

Vênus Negra
Com “Vênus Negra”, o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche nos apresenta o lado bestial do ser humano. A curiosidade que não encontra limite enquanto não é saciada, mesmo que dependa da humilhação de outros.

Baseado na história real da sul africana Saartjie (ótima atuação da estreante cubana Yahima Torres), que se apresentava em circos de aberrações na Londres do início do século dezenove. O público se chocava com as grandes dimensões de seu corpo (diferente do padrão da mulher européia da época) e médicos anatomistas chegavam a utilizá-la como objeto de estudos, comparando suas nádegas às de um babuíno e a dimensão de sua cabeça com a de um macaco, tentando provar a tese de que ela simbolizava o elo perdido entre os macacos e os africanos. Nesta cena que se passa logo no início, fica impossível não nos lembrarmos de situação semelhante no clássico de David Lynch: “O Homem Elefante”. A atmosfera é tão opressiva quanto!

A intenção do diretor é nos transformar em membros do público (com uso ostensivo de câmera em primeira pessoa na platéia), que assiste a degradação a qual a jovem se permite passar, em longas (muito longas) e torturantes cenas. A brutal exposição de seu corpo pode afastar o público casual, porém aqueles que suportarem os excruciantes 160 minutos da obra serão recompensados ao final, com pelo menos uma cena de extrema beleza, onde a protagonista revela seu lado humano e sensível. Não chega a ser tão eficiente quanto o clássico lamento de John Merrick no filme de Lynch (“Eu sou um ser humano!”), porém emociona.

Para terem uma noção clara do que esperar ao assistirem “Vênus Negra”, basta imaginarem uma combinação entre “O Homem Elefante” e “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson. Em certos momentos, a exposição da humilhação humana beira o sadomasoquismo, infelizmente deixando o aprofundamento psicológico dos personagens (e suas motivações) em segundo plano. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Estamos Juntos

Estamos JuntosEm “Estamos Juntos”, o diretor Toni Venturi acerta em não querer explicar tudo, “mastigar” a experiência para o público. Além de ousar fugir dos tradicionais apelos nacionais, focando suas câmeras na queda e redenção psicológica da jovem médica Carmen (vivida brilhantemente por Leandra Leal, cujo carisma e talento se encaixam perfeitamente nas lentes de cinema). 

A maneira que o cineasta encontrou de nos fazer visualizar os meandros da psique de sua personagem principal encontra similaridades na obra de Roman Polanski:“Repulsa ao Sexo” e em “Persona” de Ingmar Bergman. O título (de múltiplas interpretações) encontra sua definição perfeita na bela introdução, onde vemos a cidade de São Paulo em todas as suas ambigüidades sociais, com os altos arranha-céus contrastando com as comunidades pobres.

Outro ponto a ser destacado é a linda fotografia de Lula Carvalho, que mais uma vez engrandece o resultado final. Cauã Reymond surpreende como Murilo, um amigo homossexual fútil que acabará disputando com a protagonista, as atenções do jovem violinista argentino Juan (Nazareno Casero). Neste ponto, o filme encontra seu grande problema. A partir do momento em que Nazareno entra em cena, não existe mais um senso de unidade na atuação e acabamos tendo nossa imersão danificada. Dedicarei um parágrafo (um parêntese) para explicar melhor este conceito.

Este é um problema comum no cinema nacional, posto que diferente de outros países no mundo, nós não temos uma escola de atuação ou um método predominante. Você pode estar assistindo um filme onde o protagonista seja de formação teatral inglesa, sua parceira advinda das telenovelas e o vilão, um artista circense! Esta mistura pode até dar certo, mas na maioria das vezes atrapalha nossa crença na naturalidade (essencial na linguagem cinematográfica). Deveria haver maior bom senso: ou todos atuam como em “Hamlet” ou todos sejam histriônicos como Matheus Nachtergaele! Enquanto Leandra Leal, Dira Paes e Cauã Reymond esbanjam naturalidade, Nazareno parece estar atuando em uma peça de teatro. Resultado: ilusão sacrificada! Mas a culpa não é do ator, mas sim de quem o escalou.

Dira Paes (Leonora) faz parte do núcleo base da trama. Ela é a líder da comunidade carente onde a jovem médica dá auxílio. Porém a força de caráter de Leonora e a garra dos membros da comunidade serão fundamentais na redenção da personagem principal, cuja vida sofrerá um baque ao constatar uma grave doença.

Um filme interessante, maduro tecnicamente e que não subestima o público. Parabéns a Toni Venturi e ao roteirista Hilton Lacerda, por entregarem (até o presente momento) o melhor filme nacional do ano!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Minhas Tardes com Margueritte

Minhas Tardes com MargueritteAh... Como eu gostaria de passar algumas tardes com Margueritte! Sem dúvida, a adorável senhora seria inesquecível durante todos os dias que me restam. Ela é uma daquelas raras personagens que transportam o espectador para outra dimensão... uma dimensão mais doce e mais delicada que transforma a visão de mundo mesmo após o surgimento dos créditos.

Gisèle Casadesus (aos incríveis 96 anos de idade) é fantástica ao dimensionar sua personagem com tamanho afeto. Suas expressões faciais desfilam pensamentos que acompanham fielmente as palavras da sua amigável voz. Ah... Como eu gostaria de passar algumas tardes com Margueritte!

O roteiro coeso e muito bem estruturado (inclusive, em seus flashbacks imprescindíveis) do diretor Jean Becker e de Jean-Loup Dabadie, baseado no livro de Marie-Sabine Roger, permite a troca de sentimentos entre os personagens e o público sem se tornar um exemplar sentimentalóide. Para isso, abre mão de qualquer trilha sonora melodramática e conta com a formidável riqueza de detalhes emprestada por Gérard Depardieu à sua personagem.

Vivendo um ogro francês de poucos recursos intelectuais, mas tão afável quanto a própria Margueritte, Depardieu, em boa hora, surge como uma crítica sutil aos valores perdidos e, mesmo que não seja espelho para os analfabetos funcionais (que, possivelmente, não chegarão perto desse filme), é introduzido (e tem o poder de introduzir o espectador) no universo mágico dos livros. “Ler? Tentei uma vez e não deu muito certo.”, afirma.

Apostando na simplicidade e apoiado em um elenco extremamente comprometido, Jean Becker apresenta um trabalho inquestionável de poesia visual (apoiado pela brilhante fotografia quase vintage de Arthur Cloquet), ressaltando com excelentes planos, inclusive, a improvável comoção de um gato ao escutar Germain (Depardieu), em vão, procurar e entender palavras em um dicionário.

Curto em sua duração, mas gigante em suas intenções, todos os minutos do filme são dignos de apreciação... assim como cada frase de um bom livro. Ah... Como eu gostaria de passar algumas tardes com Margueritte!

sábado, 5 de novembro de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Piratas do Caribe: Navegando em Águas MisteriosasSaber reconhecer o próprio erro e consertar o mal feito para o bem dos fãs (e, claro, para seu próprio sucesso) são atitudes de muita personalidade. Reconstruir uma franquia aceitando, afinal, seu caráter leve e simples para resgatar o que se perdeu nas duas aventuras anteriores é, portanto, um mérito louvável desse quarto filme capitaneado pelo ilustre Jack Sparrow.

Jogando aos tubarões (ou às sereias? – de qualquer forma, deve ser um péssimo trocadilho) o ótimo e subestimado diretor Gore Verbinski (que havia pesado a mão após o excelente Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra) pelo menos cobiçoso Rob Marshall, a Disney conseguiu reencontrar aquela fórmula que funcionou tão bem no primeiro longa, fugindo dos roteiros mais adultos e complexos dos segundo e terceiro volumes. O resultado, então, é admirável.

Renovando, também, o elenco (mais uma vez liderado pelo impagável Johnny Depp – agora, o ator mais bem pago do planeta), a película é tão satisfatória fazendo o que se propõe que dificilmente haverá espaço para o espectador sentir saudade das personagens do Orlando Bloom e da Keira Knightley. Aliás, a química e o duelo de talento entre Depp e Penélope Cruz (que várias vezes rouba a cena) são tão intensos que podem valer todo o preço do ingresso (a menos que você tenha pagado para encarar um péssimo 3D utilizado de forma descartável e sem propósito – nesse caso, o casal conseguirá o(a) consolar pelos royalties gastos a mais).

A direção de arte consegue ser ainda mais competente que nos três longas anteriores, apresentando um resultado extremamente conciso e convincente junto à fotografia e ao espetacular figurino.

Hans Zimmer (um dos maiores injustiçados da última edição do Oscar), mais uma vez, confirma a sua ascensão como compositor e, retomando o tema já realizado anteriormente (por Klaus Badelt – Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra), insere uma nova dimensão à trilha que, mesmo sendo instigante e muito presente, é consciente o bastante para jamais afogar (outro trocadilho infame!) a projeção.

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, ao se assumir como uma aventura sem pretensões mirabolantes, termina por ser ainda mais adulto... Um daqueles adultos que faz questão de ter seus incríveis momentos infantis... Talvez após ter tomado alguns goles de rum ou, quem sabe, por ter encontrado a fonte da juventude. Trocadilhos?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Homem ao Lado

O Homem ao Lado
O fato é que “O Homem ao Lado” funcionaria muito melhor como um curta-metragem. Não que assistir a obra em seu formato normal seja cansativo, porém a história simples não se sustenta e o protagonista carece de carisma. Falta brilho, energia e um pouco de ousadia para que o filme sobreviva ao tempo, mesmo assim vale ser assistido pelo menos uma vez.

Visualmente possui muitos méritos, como a interessante e simbólica cena inicial onde vemos uma tela dividida em duas, com uma mostrando a ação pelo ponto de vista do morador e a outra pelo ponto de vista de seu vizinho. A cena mostra um buraco sendo aberto a marretadas em uma parede. O barulho incomoda Leonardo (vivido por Rafael Spregelburd), que transtornado descobre se tratar de uma pequena obra de seu vizinho Victor (Daniel Aráoz) para abrir uma janela que ficará de frente para sua sala de estar. Mesmo ele explicando que o faz para receber um pouco mais de luz do sol em sua casa, o jovem designer se mostra impassível. Se segue deste momento em diante, uma sucessão de situações cômicas (nem todas muito inspiradas) e reutiliza o velho conceito de “opostos que se atraem”. Enquanto Leonardo se mostra a princípio muito sistemático e bem sucedido, seu vizinho aparenta ser grosseiro e cruel. Como se é esperado, com o tempo ambos vão se surpreendendo com suas verdadeiras personalidades, ao cair das máscaras.

Sem querer estragar as minguadas surpresas, basta dizer que é um filme gostoso de assistir, porém que muito provavelmente irá se desvanecer de sua mente logo após o término.