“Que Mais posso Querer” conta uma história já bastante gasta, de maneira convencional e pouco atrativa. O tipo de filme que você se surpreende cansado e checando o tempo de duração, assustando-se com o fato de haverem passado apenas vinte e cinco minutos! Arrastado e previsível.
Anna (vivida por Alba Rohrwacher) é uma jovem bem realizada em seu emprego, porém infeliz em sua relação amorosa. Seu namorado Alessio (Giuseppe Battiston) não foge do estereótipo grosseiro, desinteressado e esquisito, envolto na teia da rotina. O roteiro então nos apresenta o garçom galã Domenico (Pierfrancesco Favino), que atrai a atenção da frustrada jovem que inicia uma relação regada a muitas cenas de sexo picantes e poucos questionamentos realmente interessantes ou inovadores. É exatamente como você já assistiu em diversos filmes, porém nunca de forma tão pouco atraente.
O diretor Silvio Soldini realiza um espetáculo técnico sem falhas, com ótimas atuações, porém frio. Ele não julga as atitudes de seus personagens, tampouco os torna interessantes. O filme termina e se apaga de nossa mente no exato momento em que as luzes se acendem!
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Amor?
Como documentarista o diretor João Jardim teve uma ótima experiência em Pro Dia Nascer Feliz ao falar das adversidades de alunos de escolas brasileiras. Agora o diretor volta suas lentes para um tema que está incrustado na sociedade: A violência derivada de uma grande paixão. Tendo como base diversos depoimentos verídicos de pessoas que passaram por essa situação o diretor pode delinear seu mais novo filme, “Amor?”, que chega aos cinemas nesta sexta em meio a outras grandes estreias.
A intenção do diretor é louvável, sobretudo por abordar um tema espinhoso através de pessoas da classe média e alta de nossa sociedade e tirar de sua mira estereótipos mais freqüentes em filmes que se nutrem das classes menos abastadas e caem no lugar comum. Lugar comum que fica longe desse drama bem dirigido, mas que perde impacto sem seus verdadeiros protagonistas contando suas histórias. Jardim optou por contar com um grande elenco retratando as pessoas que deram seus sofridos depoimentos. Apesar de o elenco estar muito bem, faltou esse dado mais “pessoal” nessa produção que conta ótimas histórias de forma linear, mas sem ousar aonde deveria.
A intenção do diretor é louvável, sobretudo por abordar um tema espinhoso através de pessoas da classe média e alta de nossa sociedade e tirar de sua mira estereótipos mais freqüentes em filmes que se nutrem das classes menos abastadas e caem no lugar comum. Lugar comum que fica longe desse drama bem dirigido, mas que perde impacto sem seus verdadeiros protagonistas contando suas histórias. Jardim optou por contar com um grande elenco retratando as pessoas que deram seus sofridos depoimentos. Apesar de o elenco estar muito bem, faltou esse dado mais “pessoal” nessa produção que conta ótimas histórias de forma linear, mas sem ousar aonde deveria.
domingo, 11 de setembro de 2011
As Mães de Chico Xavier
A capitalização recente em cima da temática espírita já nos apresentou uma obra mediana (“Chico Xavier”) e uma obra medíocre (“Nosso Lar”), agora apresenta com “As Mães de Chico Xavier”, uma obra que consegue alcançar um meio termo entre as duas já citadas.
As intenções belíssimas, porém traduzidas de maneira precária pela equipe técnica, são condizentes com a filosofia da crença. Os espíritas que não entendem muito sobre cinema, irão reclamar com os críticos, pois para eles o que vale é que os ensinamentos foram passados. Muita câmera lenta e uma trilha exagerada, tudo muito bem planejado para atender ao nicho que representa seu público alvo. Sem em nenhum momento questionar, o roteiro funciona como uma eficiente ferramenta doutrinária. O símbolo desta imparcialidade é o personagem de Caio Blat, um jornalista cético que aos poucos vai se tornando um ferrenho defensor do espiritismo.
A realidade é que os nossos cineastas ainda não conseguiram encontrar uma maneira de traduzir o discurso espírita de forma cinematograficamente eficiente. Pecam em sua essência, pois tentam criar tutoriais de sua filosofia e não obras de arte. Os atores interpretam utilizando a linguagem das novelas e do teatro, destruindo o ritmo do filme. Os diretores Glauber Filho e Halder Gomes não fogem das óbvias retratações do paraíso, com nuvens e espíritos de luz já desgastados.
Mas esta crítica não servirá aos espíritas, que sempre irão contra argumentar com pérolas como: “Você não entende a doutrina” ou “leia os livros de Kardec”. E por mais que expliquemos que analisamos o filme como obra de cinema, não como um “manual de instruções” de qualquer crença, não irão entender.
“As Mães de Chico Xavier” como cinema é ruim, exagera nos truques para emocionar, nos diálogos edificantes e que soariam melhor em palcos de teatro, com um ritmo que se arrasta e cansa até mesmo os mais devotados.
As intenções belíssimas, porém traduzidas de maneira precária pela equipe técnica, são condizentes com a filosofia da crença. Os espíritas que não entendem muito sobre cinema, irão reclamar com os críticos, pois para eles o que vale é que os ensinamentos foram passados. Muita câmera lenta e uma trilha exagerada, tudo muito bem planejado para atender ao nicho que representa seu público alvo. Sem em nenhum momento questionar, o roteiro funciona como uma eficiente ferramenta doutrinária. O símbolo desta imparcialidade é o personagem de Caio Blat, um jornalista cético que aos poucos vai se tornando um ferrenho defensor do espiritismo.
A realidade é que os nossos cineastas ainda não conseguiram encontrar uma maneira de traduzir o discurso espírita de forma cinematograficamente eficiente. Pecam em sua essência, pois tentam criar tutoriais de sua filosofia e não obras de arte. Os atores interpretam utilizando a linguagem das novelas e do teatro, destruindo o ritmo do filme. Os diretores Glauber Filho e Halder Gomes não fogem das óbvias retratações do paraíso, com nuvens e espíritos de luz já desgastados.
Mas esta crítica não servirá aos espíritas, que sempre irão contra argumentar com pérolas como: “Você não entende a doutrina” ou “leia os livros de Kardec”. E por mais que expliquemos que analisamos o filme como obra de cinema, não como um “manual de instruções” de qualquer crença, não irão entender.
“As Mães de Chico Xavier” como cinema é ruim, exagera nos truques para emocionar, nos diálogos edificantes e que soariam melhor em palcos de teatro, com um ritmo que se arrasta e cansa até mesmo os mais devotados.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Singularidades de uma Rapariga Loura
Falar do cinema realizado pelo português Manoel de Oliveira é admirar a simplicidade (que me remete a Yasujiro Ozu) e a elegância de um homem que continua filmando aos 102 anos! Incrível constatar em “Singularidades de uma Rapariga Loura” o mesmo humor ingênuo de seu início em “Aniki Bóbó”, ainda na década de 40.
A obra definitivamente é indicada para os que já apreciam o estilo do cineasta, pois possui um ritmo lento, mesmo tendo apenas uma hora (que parecem duas!). Aqueles que já sabem o que esperar se encantarão com pequenos momentos simbólicos na trama, como quando se é recitado um poema de Fernando Pessoa ou na bonita forma que o cineasta encontrou para homenagear o autor do conto: Eça de Queirós. Aliás, conto este reproduzido com fidelidade. Sem querer estragar a surpresa para os que não conhecem a história, basta dizer que Oliveira nos apresenta Francisco (vivido por Ricardo Trêpa), um contador que se apaixona perdidamente por uma bela jovem (Catarina Wallenstein) com a qual troca olhares todas as tardes pela janela.
O diretor acerta ao trazer atemporalidade à obra, com personagens de gestos e atitudes que se alternam entre antigas e modernas. A Lisboa apresentada é claramente nascida das lembranças da juventude do cineasta, assim como os chapéus que serviam de adorno a uma elegância esquecida (infelizmente) pelos homens de nosso tempo.
A realidade é que não são os filmes do diretor que são lentos, fomos nós que perdemos a paciência. Oliveira (assim como Ozu) cria obras para serem saboreadas com calma, onde os detalhes possuem razão de existir.
A obra definitivamente é indicada para os que já apreciam o estilo do cineasta, pois possui um ritmo lento, mesmo tendo apenas uma hora (que parecem duas!). Aqueles que já sabem o que esperar se encantarão com pequenos momentos simbólicos na trama, como quando se é recitado um poema de Fernando Pessoa ou na bonita forma que o cineasta encontrou para homenagear o autor do conto: Eça de Queirós. Aliás, conto este reproduzido com fidelidade. Sem querer estragar a surpresa para os que não conhecem a história, basta dizer que Oliveira nos apresenta Francisco (vivido por Ricardo Trêpa), um contador que se apaixona perdidamente por uma bela jovem (Catarina Wallenstein) com a qual troca olhares todas as tardes pela janela.
O diretor acerta ao trazer atemporalidade à obra, com personagens de gestos e atitudes que se alternam entre antigas e modernas. A Lisboa apresentada é claramente nascida das lembranças da juventude do cineasta, assim como os chapéus que serviam de adorno a uma elegância esquecida (infelizmente) pelos homens de nosso tempo.
A realidade é que não são os filmes do diretor que são lentos, fomos nós que perdemos a paciência. Oliveira (assim como Ozu) cria obras para serem saboreadas com calma, onde os detalhes possuem razão de existir.
Marcha da Vida
O holocausto sempre será matéria-prima para as mais diversas produções cinematográficas, muitas com grande apelo e alcance popular. Importantes obras que podem e devem lembrar o que de pior um ser humano é capaz. Nesta sexta chega aos cinemas mais um documentário que esmiúça os eventos daquela época negra da humanidade através do olhar de quem viveu – e sobreviveu – ao genocídio. Marcha da vida, doc. dirigido por Jessica Sanders e co-produzido pela Conspiração Filmes em parceria com a Filmland.
“Marcha da Vida” mostra a experiência de jovens de diversas partes do mundo ao conhecerem campos de concentração mantidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Filmado no Brasil, Alemanha, Polônia, Israel e Estados Unidos, o documentário acompanha os participantes desta marcha, numa jornada emocionante, desde a sua terra natal (São Paulo, Los Angeles e Berlim) até a chegada a Auschwitz e Birkenau, onde os jovens entram em contato com a história.
Jessica teve a habilidade de captar através de suas câmeras a emoção vivida tanto pelos sobreviventes como pelos jovens. Mesmo optando pelo padrão esquemático muito comum na maioria dos documentários como imagens em plano geral, depoimentos em off e entrevistas, Sanders soube dosar cada fala e imagem sem se exceder ou soar artificial na busca pela emoção fácil. Além de tudo foge do didatismo monótono, o que deve elevar o interesse do público e reavivar na memória de todos um dos maiores crimes que o mundo já conheceu. Uma aula de história recente da humanidade e obrigatória sempre.
“Marcha da Vida” mostra a experiência de jovens de diversas partes do mundo ao conhecerem campos de concentração mantidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Filmado no Brasil, Alemanha, Polônia, Israel e Estados Unidos, o documentário acompanha os participantes desta marcha, numa jornada emocionante, desde a sua terra natal (São Paulo, Los Angeles e Berlim) até a chegada a Auschwitz e Birkenau, onde os jovens entram em contato com a história.
Jessica teve a habilidade de captar através de suas câmeras a emoção vivida tanto pelos sobreviventes como pelos jovens. Mesmo optando pelo padrão esquemático muito comum na maioria dos documentários como imagens em plano geral, depoimentos em off e entrevistas, Sanders soube dosar cada fala e imagem sem se exceder ou soar artificial na busca pela emoção fácil. Além de tudo foge do didatismo monótono, o que deve elevar o interesse do público e reavivar na memória de todos um dos maiores crimes que o mundo já conheceu. Uma aula de história recente da humanidade e obrigatória sempre.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Contracorrente
Uma espécie de Dona Flor e Seus Dois Maridos às avessas, esse filme Peruano que concorreu a uma vaga ao Oscar desse ano, mas foi eliminado logo na primeira etapa, Contracorrente é mais um filme gay que chega aos cinemas sem se preocupar em chocar ou mesmo levantar bandeiras. Esse é um ponto importante no longa dirigido por Javier Fuentes, decidido apenas a contar a história de amor entre dois homens em meio a uma sociedade preconceituosa (uma vila de pescadores).
Contracorrente pode ser facilmente comparado ao sucesso O Segredo de Brokeback Montain, devido as semelhanças com o filme de Ang Lee, mas a verdade que o tema de amor entre dois homens não trás tanta novidade na maioria dos roteiros. Os argumentos no geral se assemelham como um todo e “Contracorrente” sofre desse problema. Em parte, o público sabe o que esperar no fim das contas. Para tentar driblar esse problema, Fuentes se valeu do artifício do sobrenatural para dar maior importância à história de Santiago (O pintor) e Miguel (O pescador), que vivem uma paixão as escondidas, até que uma tragédia revela mais do que Miguel desejaria. É nesse ponto que o filme perde força e segue pelo caminho espiritual. Se não fosse nessa Contracorrente, talvez trouxesse algum diferencial.
O filme tem uma boa fotografia e boas atuações, mas permanece mediano devido ao seu tema atual, mas sem um bom argumento. Vale pela tentativa de tocar em um assunto importante e que na maioria das vezes é jogado para “debaixo do tapete”.
Contracorrente pode ser facilmente comparado ao sucesso O Segredo de Brokeback Montain, devido as semelhanças com o filme de Ang Lee, mas a verdade que o tema de amor entre dois homens não trás tanta novidade na maioria dos roteiros. Os argumentos no geral se assemelham como um todo e “Contracorrente” sofre desse problema. Em parte, o público sabe o que esperar no fim das contas. Para tentar driblar esse problema, Fuentes se valeu do artifício do sobrenatural para dar maior importância à história de Santiago (O pintor) e Miguel (O pescador), que vivem uma paixão as escondidas, até que uma tragédia revela mais do que Miguel desejaria. É nesse ponto que o filme perde força e segue pelo caminho espiritual. Se não fosse nessa Contracorrente, talvez trouxesse algum diferencial.
O filme tem uma boa fotografia e boas atuações, mas permanece mediano devido ao seu tema atual, mas sem um bom argumento. Vale pela tentativa de tocar em um assunto importante e que na maioria das vezes é jogado para “debaixo do tapete”.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Eu Sou o Número 4
Cada vez mais os estúdios de cinema se voltam para o público adolescente produzindo histórias açucaradas com teor de ação e ficção misturados, criando uma salada por vezes sem sal e sem tempero. Seguindo a mesma tendência – infelizmente- da saga Crepúsculo, chega aos cinemas “Eu Sou o Número 4”, produção dirigida por D.J. Caruso, diretor que já mostrou uma média habilidade no gênero do suspense com Paranóia, mas não tem feito nada de fato com mais substância atualmente. Agora o diretor volta ao cinema com essa adaptação de um livro não tão conhecido do grande público. Será falta de um bom roteiro?
“Eu sou o Número 4” é previsível do início ao fim com é o habitual das produções que tem como foco o público adolescente. Um emaranhado de idéias antigas que se propõem apenas e tão somente a entreter sem criar um conteúdo inovador para o gênero água com açúcar. A premissa é mesma que tantos e tantos filmes voltados para a faixa mais consumidora da sociedade, os adolescentes. Nele temos os eternos clichês dessas produções, o mocinho que foge dos alienígenas caçadores, a mocinha que se revela uma grande guerreira e claro, um colégio cheio de valentões idiotas e suas vítimas nerds. Sem falar nos vilões alienígenas.
O problema desse tipo de filme é não beber de outras primorosas fontes que tanto fizeram sucesso em décadas passadas e buscar idéias em livros e roteiros bobos que subestimam a inteligência de um público que precisa ser instigado.
A Trilogia “De Volta para o Futuro” é uma prova de que é possível fazer um filme onde a junção de diversos estilos (drama, comédia, ação, suspense) deram certo e até hoje é referência de bom roteiro e direção. Mas também é a prova de que, infelizmente, nem sempre uma boa fórmula pode ser reproduzida. E Eu Sou o Número 4 está aí para atestar. Pena.
“Eu sou o Número 4” é previsível do início ao fim com é o habitual das produções que tem como foco o público adolescente. Um emaranhado de idéias antigas que se propõem apenas e tão somente a entreter sem criar um conteúdo inovador para o gênero água com açúcar. A premissa é mesma que tantos e tantos filmes voltados para a faixa mais consumidora da sociedade, os adolescentes. Nele temos os eternos clichês dessas produções, o mocinho que foge dos alienígenas caçadores, a mocinha que se revela uma grande guerreira e claro, um colégio cheio de valentões idiotas e suas vítimas nerds. Sem falar nos vilões alienígenas.
O problema desse tipo de filme é não beber de outras primorosas fontes que tanto fizeram sucesso em décadas passadas e buscar idéias em livros e roteiros bobos que subestimam a inteligência de um público que precisa ser instigado.
A Trilogia “De Volta para o Futuro” é uma prova de que é possível fazer um filme onde a junção de diversos estilos (drama, comédia, ação, suspense) deram certo e até hoje é referência de bom roteiro e direção. Mas também é a prova de que, infelizmente, nem sempre uma boa fórmula pode ser reproduzida. E Eu Sou o Número 4 está aí para atestar. Pena.
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